Responsabilidade Social e Responsabilidade Ambiental nas Organizações Farmacêuticas

 

RESPONSABILIDADE SOCIAL

 

O conceito de responsabilidade social abrange o comprometimento permanente das organizações com o comportamento ético e desenvolvimento econômico, melhorando a qualidade de vida dos empregados e de suas famílias, bem como da comunidade local e da sociedade em geral. Esse conceito de responsabilidade social incorporado pelas empresas torna possível o desenvolvimento de ações que vão além das fronteiras de interesse apenas econômicos dos proprietários e acionistas. As empresas devem ser consideradas como uma extensão da sociedade, tornando as atividades e a ética nos negócios muito mais abrangente e humanas (RIBEIRO, 2006).

 

Ética e Responsabilidade Social

Ética é a base da Responsabilidade Social e se expressa através dos princípios e valores adotados pela organização. Não há Responsabilidade Social sem ética nos negócios. Não adianta uma empresa, por um lado pagar mal seus funcionários, corromper a área de compras de seus clientes, pagar propinas à fiscais do governo e, por outro, desenvolver programas junto a entidades sociais da comunidade. Essa postura não condiz com uma empresa que quer trilhar um caminho de Responsabilidade Social. É importante seguir uma linha de coerência entre ação e discurso (ALL PHARMA).

 

Responsabilidade Social nas Organizações Farmacêuticas

No atual estágio de competição, os produtos e serviços estão mais semelhantes e, a cada dia, a batalha pela consolidação da marca está levando as empresas a se diferenciarem através do estabelecimento de laços emocionais que representam o compromisso empresarial com o desenvolvimento social. Na prática organizacional essa ferramenta está sendo bastante explorada pelas empresas, pois o novo cenário mercadológico estimula cada vez mais a participação da iniciativa privada no Terceiro Setor. As empresas devem estar engajadas em ações que promovam um estreitamento dos laços com a sociedade, através da participação em projetos que proporcionem o desenvolvimento e o bem estar social (RIBEIRO, 2006).

O mercado onde se encontram inseridas as indústrias farmacêuticas está em constante mudança e as tendências mundiais exigem novas formas de se estabelecer um bom relacionamento com os clientes e a sociedade. É de extrema importância que as organizações busquem mecanismos que atendam a esta nova necessidade, criando um relacionamento diferenciado com parceiros, sociedade, consumidores e o mercado (RIBEIRO, 2006).

Falar em responsabilidade social para organizações farmacêuticas é falar em promoção do bem estar físico, mental e social da comunidade em que esta organização está inserida. É a preocupação e contribuição para melhoria da situação atual, acreditando-se que sempre é possível fazer algo mais por aqueles, que de alguma forma, são os responsáveis pela existência desta organização. Um exemplo disso, é a  Hebron, uma empresa que está entre os 60 maiores no ranking dos 500 laboratórios farmacêuticos existentes no Brasil. Ao longo dos seus 15 anos de existência vem se mostrando uma organização séria e socialmente responsável. Existem vários projetos sociais desenvolvidos ou apoiados pela empresa que, em sua grande maioria, concentram-se na cidade de Recife (Pernambuco), porém abrangendo outros estados, como é o caso do Projeto Amanajé que consiste na alfabetização dos Índios Amanajés no Estado do Amazonas e também outros países. A Hebron é uma empresa participativa em vários projetos de cunho social e por isso é considerada como uma empresa socialmente responsável (RIBEIRO, 2006).

A cobrança de uma atuação socialmente responsável por parte das empresas vem ganhando força na mente dos consumidores e a cada dia fica mais difícil para as empresas desvincular os seus investimentos na área social de uma estratégia mercadológica, pois se percebe que a empresa que prioriza as atividades de marketing social dentro da sua estratégia corporativa, conseqüentemente, irá reverter os seus investimentos em benefícios para a organização (RIBEIRO, 2006).

 

RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

 

A preservação do meio ambiente é um dos elementos mais importantes dentro da nova concepção de sociedade, crescimento e desenvolvimento. A saúde e o bem–estar do homem estão diretamente relacionados com a qualidade do meio ambiente e com suas condições físicas, químicas e biológicas. CASTRO

A preocupação com o meio ambiente é mais do que um compromisso a ser assumido, é uma meta em curto prazo para que se tenha condições satisfatórias de vida humana no planeta. Dentre os cuidados dispensados com o meio ambiente, o gerenciamento de resíduos é uma das ferramentas-chave de responsabilidade das empresas que trabalham com produtos químicos ou outros que podem causar algum dano, tanto a saúde individual ou coletiva, quanto a degradação ao meio ambiente (PICCOLO, 2004).

 

Responsabilidade Ambiental nas Organizações Farmacêuticas

O processo de industrialização tem sido um importante fator de degradação ambiental, o despejo de efluentes industriais nos corpos d’água provoca sérios problemas sanitários e ambientais. Os riscos decorrentes da produção de resíduos têm aumentado com o progresso tecnológico. Com o aumento populacional a demanda por produtos industrializados aumenta e com ela a poluição do ambiente como um fator negativo. Para tanto é preciso que se desenvolva uma nova consciência entre as empresas, a de gerenciar os próprios resíduos, evitando a contaminação de ar, água e solo (CASTRO, 2006).

A contaminação do meio ambiente por resíduos farmacêuticos pode ser proveniente dos chamados grandes geradores de resíduos que são as indústrias químicas farmacêuticas; os pequenos geradores que são as instituições de ensino e pesquisa e os micro geradores que são as residências e fazendas pecuárias (CASTRO, 2006).

A empresa relaciona - se com o meio ambiente causando impactos de diferentes tipos e intensidades. Dessa maneira, uma empresa ambientalmente responsável procura minimizar os impactos negativos e ampliar os positivos. Deve, portanto, agir visando a manutenção e melhoria das condições ambientais, minimizando ações próprias potencialmente agressivas ao meio ambiente e disseminando em outras empresas as práticas e conhecimentos adquiridos nesse sentido (SANTOS, 2003)

As indústrias farmacêuticas devem seguir normas e procedimentos adequados e importantes, seguidos de padrões aceitáveis para o meio ambiente para evitar ao máximo os impactos ambientais. A consciência ecológica deve ser instituída em todos os tipos de grupos químicos farmacêuticos, sejam eles micro poluentes, pequenos ou grandes geradores de resíduos. Em se tratando de substâncias químicas, especialmente aquelas produzidas para exercer efeito biológico (fármacos), o risco associado pode aumentar muito em função desses efeitos (CASTRO, 2006).

 

DESCARTE DE REMÉDIOS: UMA QUESTÃO MUITO GRAVE

 

Remédios são essenciais para resolver os problemas de saúde, mas depois que a enfermidade passou, normalmente sobram comprimidos nas caixas, xarope nos vidro e até ampolas de injeção. Tudo isso fica guardado nos armários até perder a validade. E o que fazemos com eles, então? Não há outra alternativa do que jogá-los fora, mas resíduos de medicamentos podem contaminar o solo e a água quando descartados no lixo ou na rede de esgoto comum. O problema é que boa parte da população não sabe disso e, pior, não há postos de recolhimento.

Segundo Luiz Carlos da Fonseca e Silva, médico e especialista em Vigilância Sanitária da ANVISA, o consumidor não pode devolver os remédios para as drogarias e farmácias, a exemplo do que fazem os proprietários de celular nas lojas do ramo. “As drogarias e farmácias não têm obrigação legal para aceitá-los e, além disso, haveria risco de comercialização indevida do produto”. Uma das alternativas para evitar o descarte de medicamentos no lixo comum e na rede de esgoto seria a criação de pontos para coleta dos remédios vencidos para que sejam encaminhados para o descarte adequado. “Isso evitaria que os remédios fossem descartados no lixo doméstico e na rede de esgoto. Os remédios vencidos devem ser recolhidos por uma empresa especializada e incinerados”, sugere o farmacêutico Carlos Eduardo Nascimento (SP).

Uma forma de diminuir a quantidade de medicamentos a serem descartados é a compra de remédios fracionados, isto é, comprar apenas a quantidade necessária ao uso, o que evitaria o acúmulo desnecessário. Além de ampliar o acesso a medicamentos, o fracionamento contribui para a promoção da saúde, pois evita que os pacientes mantenham em sua casa sobras de remédios utilizados em tratamentos anteriores. Isto reduz a utilização de medicamentos sem prescrição ou orientação médica, diminuindo o número de efeitos adversos e intoxicações (ANVISA). “Isso seria o ideal, pois o indivíduo compraria a quantidade justa, evitando o descarte inadequado no lixo”, diz Ana Maria da Costa Aguiar, farmacêutica que também não sabe ao certo qual destino dar aos remédios vencidos. Ela sugere que se alguém encontrar um medicamento no lixo, encaminhe para a Vigilância Sanitária, “assim, quem sabe se todo mundo começar a fazer isso eles resolvem o problema de uma vez por todas”.

Atualmente, o monitoramento de medicamentos no meio ambiente vem ganhando grande interesse devido ao fato de muitas dessas substâncias serem freqüentemente encontrada, em concentrações altas, em afluentes de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e águas naturais. Daniele Maia Bila e Márcia Dezotti, engenheiras químicas do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação da Universidade Estadual do Rio de Janeiros (COPPE-UFRJ), afirmam que uma parte significativa dos medicamentos é descartada no esgoto doméstico, onde várias dessas substâncias parecem ser persistentes no meio ambiente e não são completamente removidas nas ETEs e, que os medicamentos são desenvolvidos para serem persistentes, mantendo suas propriedades químicas o bastante para servir a um propósito terapêutico.

 

O uso em excesso de antibióticos acarreta dois problemas ambientais:

    - Contaminação dos recursos hídricos;

    - Acabam com microorganismos menos resistentes, deixando vivos apenas os mais resistentes.

 

Nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) há três destinos possíveis para qualquer medicamento:

    - Pode ser biodegradável (mineralizado a gás carbônico e água, como por exemplo, o ácido acetilsalicílico);

    - Pode passar por algum processo metabólico ou ser degradado parcialmente (penicilinas);

    - Pode ser persistente (clofibrato).

 

O monitoramento da eficiência de remoção desses medicamentos pelos processos convencionais de tratamento de efluentes domésticos das ETEs é de grande importância, pois, no futuro, podem ser necessárias adaptações, ou mesmo implantar outros processos de tratamento que complementem a remoção adequada desses resíduos. Quando questionado sobre o que fazer para resolver o problema, o médico da ANVISA, Luiz Carlos da Fonseca e Silva, diz que a Agência faz parte do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. “É um órgão regulador e a fiscalização fica sob responsabilidade das vigilâncias sanitárias dos estados, municípios e do Distrito Federal”. O médico informa que “estados e municípios têm autonomia para legislação própria, desde que não contrariem as normas federais”. E acrescenta, “os riscos dos itens descartados devem ser sempre analisados. No caso de medicamentos, devem ser avaliados os riscos existentes nos princípios ativos dos mesmos, levando-se ainda em consideração a quantidade que está sendo descartada, a forma farmacêutica e os possíveis danos ambientais decorrentes do descarte dos mesmos”. E Luiz Carlos da Fonseca e Silva ressalta que, “de acordo com o IBGE, apenas 12,5% dos municípios brasileiros têm aterro sanitário. O restante tem os chamados lixões, o que é muito mais perigoso para a população”.

O problema existe, é grave, mas ninguém está trabalhando para solucioná-lo. Enquanto isso, a população continua jogando fora os remédios de forma inadequada, e, sem saber, colocando em risco a sua própria saúde. Possivelmente, o primeiro passo para resolver a questão seja divulgar cada vez mais as conseqüências do descarte incorreto de medicamentos para que as pessoas comecem a pressionar as autoridades por um ação rápida e eficaz.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

PICCOLO, I.R. Estudos de Casos de Cuidados com o Meio Ambiente na Indústria Farmacêutica. Publicado na revista Fármacos & Medicamentos 29 (Julho/Agosto 2004). Disponível em: < http://www.racine.com.br/portal-racine/meio-ambiente/setor-industrial/estudos-de-casos-de-cuidados-com-o-meio-ambiente-na-industria-farmaceutica-dp1>.

 

RIBEIRO, V.N.N.; OLIVEIRA, M.V.S.S. Análise das ações de marketing social em uma indústria farmacêutica: o caso Hebron. XIII SIMPEP - Bauru, SP, Brasil, 06 a 08 de novembro de 2006. Disponível em: http://www.simpep.feb.unesp.br/anais/anais_13/artigos/428.pdf.

 

CASTRO, J.D.B. NOGUEIRA, L.F. ANÁLISE DO CONTROLE DA POLUIÇÃO DAS INDÚSTRIAS FARMACÊUTICAS DE ANÁPOLIS. Revista Educação & Mudança, n. 18 e 19, 2006. Disponível em:< http://revistas.unievangelica.edu.br/index.php/rem/article/viewFile/19/19>.

 

SANTOS, M.A. EMPRESAS, MEIO AMBIENTE E RESPONSABILIDADE SOCIAL - UM OLHAR SOBRE O RIO DE JANEIRO -.MONOGRAFIA DE BACHARELADO, INSTITUTO DE ECONOMIA, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, JUNHO 2003.

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